sábado, 26 de dezembro de 2009 Y 20:39

Porta de saída.
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No principio, era uma porta qualquer, escarlate, vermelho rubro, com uma maçaneta negra lapidadas com detalhes artesanais de arabescos. Na porta havia rosas sutis, com a inscrição ‘DIX’ em seu centro, eram sete delas. E no Centro da porta dentro de ornamentos retangulares uma inscrição:
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“Veja ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o falar: Porém tudo depende do tempo e do acaso. Pois o Homem não sabe sua hora. As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos.”
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E assim, permanecia a porta imóvel, submissa, sempre no canto esquerdo da parede, em qualquer lugar, ela sempre estava ali, fechada murmurando baixinho para abri-la, a qualquer mortal miserável.
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O que haveria de haver dentro dela? Não há ninguém vivo na terra ou morto debaixo dela que saiba. Não precisa esconder leitor que tem curiosidade, ou pelo menos está instigado a saber o que tem nesta porta para ser tão importante, na verdade é apenas uma porta como outra qualquer. Não se deixe enganar, todos mentem incessantemente! A verdade é apenas mais uma alegoria nas mãos das pessoas que vivem hoje.
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Voltando a porta, bom ela é uma porta que eu descreveria como racional aos nossos olhos, mas os belatucadrus sabem que quem entra é guiados pela emoção, um anjo torto desses que vive nas sombras que me disse, que desta porta apenas um saiu, mas isso não vem ao caso, onde estávamos? Ah sim, a porta, o fato marcante é que eu Endymion nunca a havia percebido, não que ela estive-se ali sempre, foram uma serie de conseqüências em minha vida que a trouxeram, eis a história.
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Os dias conformes foram passando eram os mesmo, as mesmas tarefas, os mesmos hábitos, as mesmas roupas sociais, as mesmas ruas a serem seguidas, o mesmo caminho a ser tomado, o mesmo prédio empresarial, o mesmo escritório sem janela, mal iluminado e fétido de futilidades, o mesmo serviço, as mesmas ninfas, os mesmos, os mesmos, os mesmos. O mesmo cotidiano, minha tragédia grega estava montada só faltava entrar no palanque e encenar.
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Sempre quis ter uma família, mas o negocio herdado sugava todo o meu tempo, a ironia é que hoje eu sugo o tempo dos outros. Com apenas 20 anos já havia me mudado da cidade do interior para ser chefe da multinacional em Paris, o sistema havia me consumido.
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Nunca havia pertencido a classe marginalizada da sociedade: o proletariado, antes tudo vinha em minha mão, mas como uma via de mão dupla que é a vida tudo foi pedido de volta com apenas um ato.
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Já me dava conta de minha palidez, não comia algo decente há dias, era difícil permanecer dormindo a noite, aos pouco a porta surgiu em minha vida, em minha rotina, sempre no canto esquerdo estava ela imóvel.
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O fato que narrarei a seguir não sei bem como aconteceu, em minha mente havia clarões intensos e dores alucinantes. Minha loucura devida à doença, ao trabalho a minha vida miserável, estava sendo incendiado pela cidade luz, como ardiam minhas emoções, minha mente era um reflexo da depressão daquele século. Resolvi por um fim nisso, testando minha fé.
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Friamente calculei que meu próximo passo seria o abismo eterno localizado na Praça Parvis.
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Porém, o destino que Kronos tece é geralmente interessante para não se dizer entediante. Mas dessa vez ele se superou em sua peripécia temporal.
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Comecei então a subir para me destino, sabia de cor todas as entradas e caminhos, fã de arquitetura e profissional da mesma, a catedral tinha sido meu excelente 10 no trabalho de conclusão da universidade. Quando cheguei a seu pico, me arrependi e hesitei em face da morte, não queria tecer aquele destino para mim, era loucura julgar minha vida ser desprezível, quando há pessoas logo abaixo do mediterrâneo morrendo de fome, enquanto me embriagava com os vinhos da luz. Porém, como se fosse costume tocar o sino a meia noite, a minha insanidade volto, as luzes haviam voltado minha mente estava ardendo pegando fogo. Na eminência de cair um ser divino veio ver que barulho estranho era aquele, mais bela que a alva com seus cabelos louros, e mais triste que um crepúsculo com seus lábios rosa e seus olhos vermelhos ela me trouxe a salvação puxando-me para dentro da porta. Mal sabia eu que aquela salvação era uma maldição.
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Naquela manhã havia na fachada da catedral um corpo. Aqui jaz Endymion Le Bowsier. Minha pele naquele chão sujo era branca como a neve, meus olhos refletiam o azul do céu e meus cabelos louros estavam manchados de hemácias e dentro de minhas veias já não corria mais o liquido viscoso, me perguntava há quanto tempo meu coração havia parado de bater. Meu pescoço estava latejando, ah há quanto tempo não me sentia vivo daquele jeito.
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Vivo como você, não mais. Naquela noite, recebi o beijo da vida eterna, já pertencia ao outro lado da porta, ao Belatucadrus.

Que se ascenda uma vela na catedral ao imortal.

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O conto, porta de saída foi feito na intenção de se fazer uma longa prosa usando como vampiros a figura dos Belatucadrus.